Ana Morgado, Presidente da Associação Zoófila de Leiria - Fiéis Amigos 

-

EXPOSED

Hoje damos-vos a conhecer a incrível Ana Morgado, uma verdadeira lutadora em prol dos animais na Associação Zoófila de Leiria - Fiéis Amigos. Uma história de perseverança que é uma inspiração para todos nós!

Bem-vinda Ana, pode se apresentar e partilhar o seu passado no mundo do resgate de animais?

Tenho 32 anos, e cresci com animais. À medida que fui crescendo fui me apercebendo que os animais eram tratados como coisas. Que eram os primeiros a sofrer, quando algo não corria bem. Eram os primeiros a "saltar fora" em problemas familiares. 

 

 

O que o levou a iniciar/ a fazer parte da associação zoófila de Leiria - Fiéis Amigos?

Eu lutava contra uma depressão, que teimava em não me deixar. Cuidar dos animais foi uma terapia enorme. 

 

Fale-nos dos seus companheiros de equipa e sobre como funciona a equipa de salvamento? 

Somos poucos, mas bastante unidos. Todos os voluntários que se deslocam à associação e integram a nossa equipa, têm a mesma missão, visão e valores. Temos voluntários que são espectaculares a lidar com os cães assustados. Têm paciência e a calma necessária para conseguir resgatar e recuperar em casos de trauma grande. Outros que são mais vocacionados para ensinar os cães a passear e a socializar. Um processo importante para que estejam aptos para uma boa adoção. Cada elemento da equipa é fundamental, para que haja bom equilíbrio dentro da associação. 

É óptimo que tenha podido envolver-se tanto e fazer realmente a diferença para estes animais. Na sua opinião, qual é o aspecto mais desafiante do seu trabalho e como é que lida com o seu custo emocional?

A evolução de cada animal, é sem dúvida da parte mais desafiante nesta minha missão. 

Há dias em que o desgaste emocional é enorme, dias em que dificilmente se controlam as lágrimas. Tento sempre confortar-me naqueles que ajudamos e que continuam a precisar de nós.

 

Acha que com a informação hoje em dia disponível, há menos animais a serem abandonados, ou ainda assim pensa que esta situação ainda está a atingir números bastante elevados?

O abandonado ainda continuar atingir número elevadíssimos. Apesar de toda a informação, ainda não é o suficiente. Pois, sem formação e formatação de mentalidades dificilmente os números baixarão. 

 

Deve ser tão gratificante quando se vê um cão ser finalmente adoptado, após uma longa estadia no abrigo. Pode partilhar connosco uma história duma adopção que o/a tenha marcado?

Tenho um especial carinho por animais idosos, e como tal a adoção de um animal idoso toca-me sempre, não só por ser raro. Por saber que quem adota um animal em fim de vida é com certeza alguém muito especial. Era uma cadela chamada Kelly já velhota, com os seus 13 anos e viveu parte da sua vida no canil. Uma família veio conhecê-la e foi amor à primeira vista. Passearam com ela, criaram laços. Passámos ao passo de a levar ao novo lar.. A Kelly estava radiante, os seus olhos sorriam…

Correu para uma cama quente e por lá ficou durante mais uns anos. 

Infelizmente, há por aí tantos estigmas sobre os animais resgatados. Por exemplo, o facto de se acreditar que os animais de resgate ficam “traumatizados” e que depois não farão bons cães de família. Quais são os conceitos errados mais comuns sobre a adopção de animais que gostaria de ver corrigidos?

Que os animais mais velhos não adaptam. Para além de mais gratos, já tem uma personalidade definida. 

Os animais de um canil nunca irão aprender a fazer as necessidades no local correto. Os animais de canil, aprendem como todos os outros. 

Os animais de canil não são sociáveis. Os animais de canil, aprendem a dividir o pouco que têm com outros. 

 

Parece-nos que a indústria de resgate de animais pode ser muito gratificante mas ao mesmo tempo, por vezes desoladora. Que conselhos tem para alguém interessado em se dedicar ao resgate e cuidado de animais abandonados?

Que ajudem os animais sem esperar nada em troca. É importante que exista uma boa estrutura familiar, para que nos apoiem a nível emocional e compreendam a falta de tempo. 

 

 

De certeza que tem muitas pessoas a querem envolver-se mais na causa da associação, mas que não são capazes de se comprometer a tempo inteiro. De que forma é que poderão contribuir para ajudar a esta associação?

Podem ajudar-nos com géneros, para que possamos continuar a gerir o abrigo. Com valores monetário para colmatar as dívida veterinária. Com passeios dos nossos patudos. 

Com a divulgação do nossos trabalho. 

Quais são as suas esperanças para o futuro deste projeto?

Fomentar a esterilização na população. Aumentar o número de adoções. 

Melhorar as condições do nosso abrigo. 

 

Finalmente, para quem estiver interessado em adoptar um dos animais resgatados, qual será o primeiro passo?

Verificar a disponibilidade pessoal e emocional. Ter em consciência que adotar um animal é um passo muito importante. 

Data da publicação deste artigo - 14/03/2021

Edição da Entrevista: Exposer Magazine 

Fotografia: AZL