O Grande Marco Horácio

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EXPOSED

A Exposer falou com o homem que mesmo tendo pouco ou nenhum pescoço, conseguiu ser um dos grandes impulsionadores do Stand-up comedy em Portugal, sendo por ventura também a pessoa que dá a vida ao lendário Roxinol Faduncho. Senhores e senhoras, meninos e meninas, apresentamos-vos o Marco Horácio!

Oh Marco, já te achavam “graça” quando eras “puto”?

 

Por acaso não. Sempre fui um miúdo introvertido e muito inseguro. Só a partir dos 8 anos comecei a ser o tipo engraçado da turma. E tinha o dom de saber quando parar e nunca fui posto fora da sala de aulas. Piada piada só a partir dos 18. Dizem!

 

 

Então qual foi assim o teu primeiro palco com uma audiência a sério, ainda te lembras desse dia?

 

Lembro e correu muito mal. Foi um espectáculo de música ao vivo na minha própria escola secundária. Tinha uma banda na altura os “Via Latina”. Comecei por cantar Metalica, tentei cantar no registo rouco do vocalista e fiquei sem voz. O resto do espectáculo foi deprimente e constrangedor.

 

 

O Levanta-te e Ri foi o grande salto da tua carreira, onde foi dado a conhecer ao país um novo conceito de stand-up comedy e por onde passaram e se deram a conhecer muitas das estrelas da televisão atual. Quais foram as maiores amizades que fizeste e que ainda hoje perduram? 

 

Sem dúvida o Fernando Rocha. Hoje em dia somos como irmãos. É uma das pessoas que mais admiro, quer como profissional quer como pai marido e amigo.

Como é que fazes a tua pesquisa para o conteúdo antes dum espetáculo de stand-up comedy?

 

Normalmente inspiro-me na minha vida ou na minha estupidez natural que é uma fonte inesgotável de humor. Outra vezes no país no mundo e no quotidiano que me rodeia.

 

 

Qual foi o teu momento mais memorável em palco? E o mais embaraçoso?

 

Sem dúvida tenho a sorte de dizer “todos” os espectáculos de Rouxinol Faduncho. Ter centenas de plateias como já tive nestes 14 anos a sorrir a rir à gargalhada a bater palmas e a cantar é de uma emoção enorme e estou muito grato a cada pessoa. O mais embaraçoso foi um dos espectáculos de empresa que fizemos para o Grupo Lena em que as mesas estavam tão afastadas do palco e as pessoas tão focadas em almoçar que não reagiram a nenhuma piada. Se tivesse feito o espectáculo todo em Russo tinha tido o mesmo efeito!

 

 

Já alguma vez te calhou dizeres uma piada em palco que não tenha correspondido às expectativas? Como é que te desenvencilhaste da situação?

 

Já me aconteceu ter uma pessoa que se levantou da mesa onde estava e me tirou um gravador das mãos. Gravador que usava para imitar o Papa João Paulo segundo... resolvi a situando contornando a situação, brincando com a situação e o espectáculo acabou comigo a abraçar essa mesma pessoa.

 

Qual é aquele tema “tabu” sobre o qual tu nunca te atreverias a satirizar?

 

Qualquer tema que possa ferir a dignidade humana. Não gosto de fazer humor à volta de doenças terminais e o tema da morte também não me seduz. 

 

 

Há certas pessoas ou entidades que podem ficar ofendidas com a comédia. Já te aconteceu algumas vez teres que pedir desculpa a alguém por alguma coisa que tenhas dito em palco?

 

Pedir desculpa é sinal de humildade e respeito em relação ao público. Na vida como no meu trabalho, quando erro assumo facilmente o erro e peço desculpa. Já fui mais orgulhoso e imaturo.

O “Levanta-te e Ri” voltou recentemente passados uns belos anos, além de alguns estarem mais gordos e outros com menos cabelo, achaste assim uma grande diferença em relação ao programa em si e ao público? Ouve alguma adaptação especial que tiveram de fazer por os tempos serem outros?

 

Senti que as pessoas estavam com uma saudade enorme de nos ver de novo naquele formato. Porque fomos tendo noção que o programa acompanhou muita pessoas no período da faculdade, alturas menos positivas na vida e iam buscar ao Levanta-te e Ri, o sorriso que a vida teimava em não dar. Hoje esses fãs veem o programa com nostalgia acompanhados pelos filhos o que é sinal que os “velhotes” não perderam a intensidade, a forma e o sentido de humor.

 

 

Achas que a indústria do stand-up comedy em Portugal está de boa saúde? 

 

Sim está. Há muita gente nova a fazer stand-up e muito bem e há muitos a fazer que não conseguem ter êxito neste tipo de humor. Mas como tudo na vida há a seleção natural. Mas há muitos humoristas geniais ou que prometem vir a ser muito bons entre nós.

 

 

Qual é o teu comediante preferido a nível internacional e porquê?

 

Sou mais adepto dos portugueses, do que é nosso. Raminhos, Hugo Sousa, João Seabra, Luís Filipe Borges, Bruno Nogueira, a comediante Laura, Eduardo Madeira, Manuel Marques... temos muita qualidade na comédia.

 

 

A tua personagem do Roxinol Faduncho, correu tão bem que até decidiste ganhar uns trocos à custa do homem. De onde é que vem essa tua musicalidade? 

 

Eu venho de uma família de músicos. O meu pai e o meu irmão tocam saxofone, a minha mãe cantava para nós quando éramos pequenos e desde muito novo que tenho um bom ouvido musical.

 

 

Então e agora falando um bocadinho de ti, o que é que gostas de fazer quando não estás a trabalhar?

 

Gosto de escrever, ler, treinar e passar tempo e viajar com o meu filho. Também adoro cozinhar.

Como é que está o Guilherme e qual é aquela piada que nunca falha para pores o teu filho de bom humor? 

 

Tive a sorte de ter um filho que tem um bom acordar e que me faz rir logo de manhã... juntos somos muito "parvitos", divertimo-nos e eu aprendo imenso com ele todos os dias. Ele tem um sentido de humor apurado. Aliás temos uma página juntos @humorfaustino onde todas as semanas colocamos um vídeo.

 

 

Finalmente, quais são os planos para 2021?

 

Vai ser um grande ano de crescimento pessoal e profissional. Estou muito feliz por poder dar mais e melhor às pessoas e há vários projectos na calha um dos quais um sonho de vida. Estou numa fase muito boa a nível criativo, e quero dar cada vez mais e melhor às pessoas que gostam de mim e me acompanham.

Aproveito para desejar um espectacular 2021 aos vossos leitores com muita saúde, amor e humor.

Data da publicação deste artigo - 01/02/2021

Edição da Entrevista: Exposer Magazine 

Fotografia: cortesia Marco Horácio